Mulher branca em cadeira de rodas inclinada com a cabeça apoiada em instalação de desenho universal

Desenho Universal: por uma arquitetura da inclusão 

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Desenho Universal é uma proposta de tornar edifícios, produtos e ambientes construídos integralmente inclusivos. Ou seja, é um paradigma da arquitetura e design contemporâneos.

A ideia é simples: desenhar e projetar equipamentos que enriqueçam a experiência e a circulação de todo usuário, independente de sua condição física. Em suma: criar espaços universalmente acessíveis.

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Para entender o que é o Desenho Universal convidamos a Profª Drª Luciana de Lacerda, da Pós-graduação em Arquitetura e Design de Interiores: Tecnologia e Projeto. Mas, antes, precisamos entender como surgiu esse conceito.

Como foi criado o desenho universal

A ideia pode ter sua origem traçada ao trabalho de Selwyn Goldsmith, pioneiro no conceito de acesso gratuito para pessoas com deficiência. No entanto, é o arquiteto e designer industrial Ronald Mace quem elabora o conceito e faz dele sua missão no mundo.

Nascido nos Estado Unidos em 1941 e vítima da pólio aos nove anos de idade, Mace passou a vida enfrentando dificuldades para circular em um mundo cujo design não estava adaptado aos portadores de deficiência.

Arquiteto Ronald Mace criador do desenho universal
Crédito: Cortesia do National Museum of American History: Behring Center

Ironicamente, foi no campus onde se graduou em arquitetura e design que Mace viveu seus maiores obstáculos. Essa experiência de vida levou Robert Mace a se tornar um dos maiores teóricos e militantes de leis e projetos arquitetônicos adequados às necessidades de todos os usuários.

Em 1997, Mace liderou um grupo de arquitetos, designers de produto, engenheiros e pesquisadores para criar os 7 princípios do design universal. Desde então estas têm sido as diretrizes que orientam o processo de design de ambientes, produtos e comunicações.

Desenho Universal: ferramenta da Arquitetura para a inclusão 

Para a professora Luciana de Lacerda, o Desenho Universal é uma “ferramenta da Arquitetura para a inclusão”. Esse, aliás, é um tema fundamental na formação de qualquer arquiteto. Afinal, desde 2021 o Desenho Universal se tornou disciplina obrigatória nos currículos de Arquitetura e Urbanismo!

Pedimos à professora Luciana uma aplicação mais detalhada do Desenho Universal, quais os seus princípios e também alguns exemplos para ilustrar a ideia. Confira a conversa abaixo. 

Como a obrigatoriedade do Desenho Universal afeta o currículo dos arquitetos?

Os conteúdos de Desenho Universal devem ser mesclados nas disciplinas do curso. Isso é maravilhoso! Sabe porquê? Capacitar e conscientizar é o caminho para os arquitetos projetarem para a inclusão.

Digo isso por experiência própria. Quando fiz o meu TCC, lá em 1997, o tema foi um clube inclusivo: um clube inteiramente acessível, tanto a parte dos associados quanto a parte de funcionários. Sabe o que aconteceu? O que era apenas um trabalho sobre inclusão influenciou outros estudantes a pensarem e desenvolverem mais projetos focados na acessibilidade!

Imagina agora, que os arquitetos já sairão formados com esses conhecimentos, percebendo que o Desenho Universal é um instrumento de inclusão e parte natural de um projeto.

Crédito: Matheus Bertelli, Pexels

Como se aplica o desenho universal?

Quando projetamos temos que pensar sempre em incluir e qual o real significado de inclusão. Ora, um design inclusivo é aquele no qual todo usuário pode fazer parte, estar inserido, compreendido, envolvido.

Trazendo para a Arquitetura é projetar com acessibilidade, com os princípios do Desenho Universal e permitir que TODAS as pessoas possam ter acesso ao ambiente projetado por você, utilizar os mesmos espaços, se locomover com segurança, conforto e autonomia.

Quais são os 7 princípios do desenho universal?

  1. Uso equiparável: uso por pessoas com diferentes capacidades 
  2. Uso flexível: diferentes formas de uso 
  1. Uso simples e intuitivo: fácil de entender 
  1. Informação de fácil percepção: informação é dada de forma que atende diversas necessidades dos usuários 
  1. Tolerância ao erro: minimizar riscos e ações involuntárias 
  1. Pouco esforço/gasto energético: utilização de forma eficiente e confortável 
  1. Abrangente: dimensionamento e espaços para aproximação e uso. 

Esses princípios, quando aplicados por arquitetos e designers, promovem a inclusão e acessibilidade. E as leis e normas de padronização no Brasil já estão incorporando esses princípios.

É o caso da NBR 9050, que traz os estudos ergonômicos e a antropometria como diretrizes da acessibilidade a edificações, equipamentos, mobiliários e espaços construídos sejam rurais ou urbanos. É uma norma que traz boas ideias de como projetar para a diversidade.

O que seria um exemplo de desenho universal? 

Crédito: C. Cagnin, Pexels

O uso do Desenho Universal traz muitos benefícios. Proporciona qualidade de vida, independência, autonomia, segurança, conforto e o mais importante, as diferenças atendidas. Por exemplo, o corte do meio-fio. Um corte de meio-fio é fundamental para a circulação de cadeirantes pois cria uma seção de transição suave entre rua e calçada.

Por outro lado, ele também traz inúmeros benefícios a outros usuários como: crianças andando de bicicleta, idosos usando andadores, pais empurrando carrinhos e entregadores puxando carrinhos pesados. Eis a beleza de algo universalmente projetado: ele pode ser usado facilmente por todos e para diferentes fins!

Outros exemplos de locais ou produtos de design universal são:

  • Rampa de entrada
  • Portas automáticas
  • Alavancas de porta
  • Interruptores de luz de tela plana
  • Iluminação de tarefas

O que acontece com quem se formou antes das mudanças no currículo?

Para os arquitetos que se formaram antes da mudança nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo a aplicação dos princípios do desenho universal traz um novo olhar para o ato de projetar. Será um processo de reeducação. 

Minha sugestão é que os arquitetos e designers que ainda não dominam o desenho universal se especializem o quanto antes para não ficarem obsoletos. A pós emArquitetura e Design de Interiores: Tecnologia e Projeto da EnsinE tem uma disciplina dedicada ao assunto: “Aspectos de acessibilidade, ergonomia e vigilância sanitária para projetos”. Nela abordo conteúdos de Desenho Universal, acessibilidade e toda a fundamentação necessária para arquitetos, designers e até engenheiros se atualizarem 

A prática da arquitetura inclusiva é um exercício de respeito e cuidado. Seja um impulsionador da inclusão: permitir a acessibilidade é um trabalho humano e social!

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