A Arquitetura da Mesopotâmia: o nascimento dos Zigurates

A Arquitetura da Mesopotâmia

Os povos da Mesopotâmia são as civilizações que se desenvolveram na área das terras férteis localizadas entre os rios Tigre e Eufrates, na região atual do Iraque. Entre eles estão os sumérios, os assírios e os babilônios.

Mapa da Mesopotâmia

Os mesopotâmicos consideravam “o ofício de construir” um dom divino ensinado aos homens pelos deuses e a arquitetura se desenvolveu na região. A escassez de pedras e madeira no local fez dos tijolos cozidos ao sol e da argila o material de construção mais usado. 

Existem três fatores principais que contribuem para o estilo da arquitetura da Mesopotâmia:

  1. A organização sociopolítica das cidades-estados sumérios e dos reinos e impérios que as sucederam.
  2.  O papel da religião organizada nos assuntos de Estado da Mesopotâmia.
  3. Influências do ambiente natural: as limitações impostas ao artista e ao arquiteto pela geologia e clima da região.

Os materiais de construção na Mesopotâmia

Barro: O barro formado às margens dos rios Tigres e Eufrates era a matéria prima usada na arquitetura da Mesopotâmia. Poderia dar origem ao tijolo seco ao sol (adobe), ou cozido, raro por causa da escassez de madeira na região. Os Sumérios acreditavam que o barro foi o material usado pelos deuses para moldar os seres humanos, por isso ao trabalhar com barro estariam honrando os deuses.

Pedra: Embora as pedras fossem escassas, havia uma pedreira de calcário na região. Sua extração e transportes eram caros, por isso, eram usados apenas em templos, esculturas e joias. 

Betume: O betume que jorrava facilmente da terra era recolhido e usado como argamassa e na impermeabilização de tijolos.

Construção de templos e o nascimento do Zigurate

O templo é o primeiro edifício com estrutura sólida na Suméria. No período arcaico era pequeno, com uma única sala oval ou retangular. Com o tempo estes templos foram assumindo formas mais complexas e desenvolvidas, incorporando estruturas escalonadas que são conhecidas atualmente como Zigurate. 

O Zigurate é uma forma de templo, criado pelos sumérios, e comuns para babilônios e assírios. Era uma estrutura maciça em forma de pirâmide com vários andares sobrepostos, com um templo no topo. O interior era feito de tijolos queimados, mais resistentes, enquanto o exterior era feito com tijolos cozidos ao sol, mais fáceis de serem produzidos porém menos resistentes. O acesso ao templo, no topo do zigurate, era feito por rampas ou escadarias. 

Desenho de um Zigurate

Apesar da semelhança com as pirâmides do Egito, sua estrutura interna e finalidade são bem diferentes: os zigurates não possuem câmaras internas e são templos religiosos destinados à moradia dos deuses, diferente da complexa estrutura das pirâmides.

Zigurate de Ur

O zigurate de Ur, é o mais bem conservado de todos os zigurates. Foi construído para o deus da lua “Nanna”, o padroeiro da cidade-estado de Ur, por volta de 2100 a.C. pelo rei sumério Ur-Nammu. Em seu entorno, havia casas residenciais, prédios comerciais e serviços públicos.  

O Zigurate de Ur, no Iraque. Detêm 21 metros de altura por 62,5 x 43 metros em suas bases
Ruínas do entorno do Zigurate de Ur, no Iraque

Zigurate de Etemenanki ou Torre de Babel

Dedicado ao deus Marduk, da Babilônia, Etemenanki significa “a casa da fundação do céu e da terra.” Este zigurate serviu de inspiração para a história bíblica da Torre de Babel. A estrutura original foi construída por Hammurabi e restaurada por Nabucodonosor no século VII a. C.

A obra era composta de amplas escadarias em toda sua volta, sete andares e cerca de 91 metros de altura, tendo no topo o santuário. Além da função religiosa, também tinha um papel científico. Os escribas observavam os astros do e registravam em tabletes de argila, conheciam Saturno, Júpiter, Marte, Vênus, Mercúrio, o Sol e a Lua. 

Quando Alexandre, o Grande conquistou a Babilônia em 331 a.C., ordenou a demolição do Etemenanki para reconstruí-lo, porém sua morte pôs fim aos planos de reconstrução.

Representação 3D do zigurate de Etemenanki

Jardins Suspensos da Babilônia

Os Jardins Suspensos foram construídos na Babilônia a mando do rei Nabucodonosor II, no século VI a.C. Foi construído com a estrutura de um zigurate, no entanto era recoberto de vegetação.

Próximo ao rio Eufrates possibilitou amplos sistemas de irrigação. Os tijolos de barro eram revestidos com betume para mantê-los secos da água irrigada.

Representação dos Jardins Suspensos da Babilônia

Arquitetura doméstica da Mesopotâmia: Construção de casas e cidades

Famílias mesopotâmicas foram responsáveis ​​pela construção de suas próprias casas. Os tamanhos variavam mas o projeto geral consistia em cômodos menores organizados em torno de um grande cômodo central.

Para fornecer um efeito de resfriamento natural, os pátios se tornaram uma característica comum e persistem na arquitetura doméstica atual do Iraque. As cidades se organizavam em torno dos zigurates. 

Representação de uma cidade da Mesopotâmia onde é possivel ver o pátio central das casas

Portal de Ishtar

A babilônia era um grande centro comercial e para proteger suas riquezas e evitar invasões, grandes muros foram construídas ao redor. A cidade tinha oito portais e o principal e mais grandioso era Portal de Ishtar.

Construído pelo rei Nabucodonosor II, o portal foi batizado em homenagem a deusa acádia Ishtar, que representa a fertilidade. Foi adornado com azulejos azuis brilhantes, cobertos por dragões dourados e leões em tijolos vitrificados. 

Em Berlim, há uma reconstrução parcial do Portal graças ao material encontrado nas escavações do arqueólogo Robert Koldewey, entre 1902 e 1914.

Reconstrução parcial do Portal de Ishtar, no Museu de Pérgamo, em Berlim
Representação 3D do Portal de Ishtar na Babilônia
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