Educação Física que transforma vidas: novo projeto de extensão da EnsinE oferece reabilitação para pacientes oncológicos em Juiz de Fora

Equipe do projeto Movimento e Vida EnsinE

A Faculdade de Educação Física da EnsinE, em parceria com a organização internacional Maple Tree Cancer Alliance e a academia Fibratech, deu início ao projeto de extensão “Movimento e Vida: Exercício no Tratamento do Câncer”. Voltado à reabilitação de pacientes oncológicos por meio da atividade física, o projeto é coordenado pelo professor doutor Gabriel Lade, pela professora doutora Ana Paula Albuquerque e pelo professor e doutor Henrique Mansur. O programa une ensino, saúde e impacto social, oferecendo não apenas atendimento gratuito, mas também formação prática para os alunos da instituição.

Um projeto com alcance internacional

A Maple Tree é uma organização não governamental americana que atua com foco na reabilitação física de pacientes em tratamento contra o câncer, através de programas de exercícios personalizados. “É uma honra trazer a Maple Tree para nossa cidade. É uma organização internacionalmente reconhecida, comprometida com a qualidade de vida de pacientes oncológicos por meio da atividade física”, destaca Gabriel. “O Brasil é o único país fora dos Estados Unidos com atuação da ONG, o que torna o projeto ainda mais especial para nossa cidade e nossos alunos”, conclui.

Ana Paula enxerga o valor e a troca estabelecida pelo projeto, pontuando que ele “contribui com a sociedade ao aproximar a faculdade das necessidades reais da comunidade, oferecendo avaliação física e prescrição de exercícios de forma individualizada para pessoas adultas com câncer.” A professora destaca ainda a funcionalidade do projeto na vida dos pacientes: “Na prática, isso amplia o acesso a um cuidado mais qualificado e seguro, que pode favorecer a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida durante e após o tratamento”.

Atendimento oncológico Educação Física

Para o estudante de Educação Física, Maycon Douglas Cardoso, a participação no projeto tem sido reveladora: “Para mim, é algo ímpar poder participar desse projeto de extensão da EnsinE, porque eu posso, com a minha vida acadêmica, ajudar pessoas as quais têm necessidade e poder mostrar para elas que a Educação Física, o exercício físico, pode ajudá-las a ter um dia a dia melhor, melhorar o físico e o fôlego delas”.

Aula prática reabilitação oncológica

Marcelo Mota acredita que a validade está em trazer maior clareza sobre o papel da Educação Física na vida das pessoas: “Esse projeto mostra a importância da Educação Física para além da estética. E acho que isso é uma vitória da EnsinE, esse esclarecimento para a população e para os seus alunos. Entrega para a gente uma visão ampla.”

Uma parceria de impacto social e educacional

A Fibratech é uma grande parceira do “Movimento e Vida”, não apenas abriu as portas de sua estrutura para receber os pacientes, oferecendo um espaço moderno e de fácil acesso no centro da cidade, como também se comprometeu com o apoio técnico ao projeto.

“Eles disponibilizaram 80 vagas, o que nos deixou muito felizes. É um espaço top, central, com tudo que a gente precisa para atender bem. Além disso, os profissionais da Fibratech também vão acompanhar os atendimentos”, conta Gabriel.

Mas o projeto vai além do atendimento: ele foi incorporado como atividade de extensão do curso de Educação Física da EnsinE, oferecendo aos alunos a chance de vivenciar na prática o trabalho com a reabilitação oncológica.

Atualmente, 13 estudantes já estão envolvidos, passando por um ciclo de capacitações aos sábados, na própria faculdade. A proposta é que, além do aprendizado técnico, os alunos desenvolvam empatia e sensibilidade diante das histórias e desafios dos pacientes.

Professora Dra. Ana Paula orienta estudantes
Professora Dra. Ana Paula orienta os estudantes durante avaliação.

“Já foi possível perceber um impacto positivo na formação dos alunos, principalmente pelo empenho e interesse demonstrados desde a seleção até a conclusão dos treinamentos e a atuação direta com as pacientes”.

A valorização do papel dos professores é evidente. Marcelo acha que a experiência e vivência dos professores são determinantes para a contribuição eficaz. “Estar sob o olhar dos seus professores e pessoas que já estão envolvidas nesse projeto, passando o conhecimento, passando o que elas têm de anos de estudo para poder lidar com aquilo. Ajuda a preencher aquele formulário, para poder tratar da melhor forma possível uma pessoa que muitas das vezes está fragilizada”.

O entendimento de que os estudos vão além dos relatórios é fundamental e demonstra o lado humanizado de projetos como esse. “Não basta você ler um papel e preencher. Você tem que saber lidar com a pessoa. Isso te dá o que, hoje, chamam de soft skill. Uma vivência que você não consegue só a partir de leituras, só estudando. Você tem que atuar, sabe? Você tem que lidar com aquilo para você aprender”, pontua Marcelo.

Esse projeto corrobora com o caminho de preparo para o mercado de trabalho proposto pela EnsinE. Como pontua a professora Ana Paula: “A participação em avaliações físicas e atendimentos individualizados, como os desse projeto, favorece o desenvolvimento de competências práticas, como responsabilidade profissional, comunicação com um público sensível, tomada de decisão a partir de dados de avaliação e aplicação do conhecimento teórico em situações reais.”

Atividade física como tratamento não farmacológico

O programa busca preencher uma lacuna importante no tratamento oncológico: o suporte físico durante e após a quimioterapia e radioterapia. É comum que os pacientes enfrentem perda de massa muscular, força, resistência e qualidade de vida durante o tratamento.

A proposta da Maple Tree, agora aplicada pela EnsinE e parceiros, é utilizar o exercício físico de forma controlada e científica como tratamento complementar — uma abordagem que, cada vez mais, ganha espaço entre médicos e pesquisadores.

“Temos uma quantidade significativa de pacientes em tratamento oncológico em Juiz de Fora. Nosso objetivo é não deixar ninguém sem pelo menos conhecer essa alternativa. O exercício físico é um suporte poderoso e acessível que pode mudar o curso da recuperação.” — reforça o coordenador.

Sobre a importância dos projetos de extensão

A atuação em projetos como esse vai além da sala de aula. Como destaca o site da Maple Tree Brasil:

“Cada intervenção do exercício é individualizada, adaptada às necessidades e limitações do paciente, desde o início do tratamento do câncer até a remissão. Nossa equipe trabalha junto para incentivar o crescimento e o profissionalismo, promovendo a saúde física e emocional dos participantes.”

A extensão universitária é, portanto, uma via de mão dupla: enquanto promove o acesso à saúde para quem mais precisa, também oferece aos alunos formação humanizada e comprometida com a realidade social.

“Toda quarta-feira à tarde eu saio do meu trabalho, vou em direção à EnsinE com o pensamento de que eu estou tirando a tarde para poder ajudar pessoas que necessitam. E além de tudo, em contrapartida, a gente recebe um sorriso, a recebe um ‘muito obrigado’, um abraço… que é algo que não dá para ser comprado”, afirma o estudante Maycon Douglas.

Como participar?

O atendimento aos pacientes é gratuito e realizado em horários específicos na Faculdade EnsinE e na Fibratech.

  • Público-alvo: Adultos em tratamento oncológico ou em fase de remissão.
  • Informações e Triagem: Entrar em contato com o professor Henrique Mansur.
  • Telefone/WhatsApp: (32) 99934-2488

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