Faculdade EnsinE leva inovação ao ensino de Matemática com formação sobre frações e Tangram

A dificuldade dos estudantes com frações na Matemática é um desafio recorrente nas salas de aula. Ao analisarmos esse cenário com mais profundidade, porém, percebemos que o problema não está, necessariamente, na execução de cálculos, mas na ausência de significado atribuído ao conceito.

Professora Tatiane Moraes e alunos da EnsinE no evento

Foi a partir dessa compreensão que a professora Tatiane Moraes, docente do curso de Matemática com Ênfase em Inteligência Artificial da Faculdade EnsinE, elaborou uma formação no âmbito do projeto Escolas das Adolescências, realizada no município de Juiz de Fora. Trata-se de uma iniciativa construída em parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e o Governo Federal, e a EnsinE foi convidada a contribuir com propostas voltadas ao ensino de Matemática.

A proposta não chegou sozinha: os alunos Silas Oliveira, Sophia Soares e Caio Vasconcelos, alunos do curso de Matemática da EnsinE, participaram ativamente da criação da sequência didática com o Tangram e também estiveram presentes no dia do evento, contribuindo com a apresentação para os professores da rede municipal.

 

A fração como relação entre áreas

A formação teve como objetivo apresentar uma abordagem metodológica que desloca o ensino de frações do campo estritamente procedimental para uma perspectiva conceitual, centrada na construção de significados. Inspirados na teoria dos campos conceituais de Gérard Vergnaud, a proposta parte do princípio de que um conceito matemático se consolida quando o estudante vivencia múltiplas situações-problema que dão sentido ao que está sendo aprendido.

Nesse contexto, o foco foi delimitado na compreensão da fração como uma relação entre áreas, privilegiando a comparação, a análise e a interpretação antes da formalização numérica. Essa escolha não nega os demais significados da fração, mas cria uma base sólida a partir da qual outras interpretações podem ser desenvolvidas com maior consistência.

O Tangram como laboratório de frações

Para operacionalizar essa proposta, o Tangram foi utilizado como um verdadeiro laboratório de frações. Por meio da composição e decomposição de figuras, os professores da rede municipal foram convidados a explorar relações entre as peças, identificar equivalências e compreender que diferentes formas podem representar a mesma quantidade.

 

Professores da rede municipal de Juiz de Fora em atividade com o Tangram

Esse tipo de atividade ativa o raciocínio espacial, a argumentação matemática e a construção de estratégias, elementos essenciais para o desenvolvimento do pensamento matemático.

Outro elemento central da proposta foi o uso da malha quadriculada como ferramenta de validação. Enquanto a percepção visual permite estimativas iniciais, a malha possibilita a contagem de unidades de área e a construção de justificativas mais rigorosas. Trata-se de uma transição fundamental: do intuitivo ao matematicamente comprovado.

Investigação, conflito cognitivo e IA na sala de aula

A sequência didática proposta envolveu diferentes momentos: contação de história, atividades investigativas, composição e decomposição de figuras e situações de conflito cognitivo. Esses elementos favoreceram não apenas o engajamento, mas também a reflexão sobre ideias profundamente enraizadas, como a associação equivocada entre forma e quantidade.

Momento de investigação e validação com a malha quadriculada

Como diferencial, a formação também incorporou o uso da Inteligência Artificial como ferramenta de apoio ao planejamento pedagógico, algo especialmente natural para uma proposta nascida dentro de um curso de Matemática com Ênfase em IA. Os professores foram convidados a pensar em como utilizar IA para criar atividades com o Tangram, propor desafios investigativos e estimular os estudantes a refletirem sobre o que estão aprendendo. Nesse contexto, a IA não aparece como substituta do professor, mas como um recurso que amplia possibilidades de criação e intencionalidade didática.

Esse movimento reforça uma ideia central da EnsinE: o foco não está na ferramenta, mas no pensamento que ela pode mobilizar. Quando bem orientada, a tecnologia potencializa práticas pedagógicas que já são, em essência, investigativas e significativas.

Ensinar frações é ensinar relações

Ao longo da formação, realizada no dia 29 de abril, ficou evidente que ensinar frações não é ensinar regras, mas construir uma compreensão relacional. Fração é, antes de tudo, uma relação entre quantidades que exige uma unidade de referência, comparação e representação. Sem essa base, o ensino tende a se reduzir à memorização de procedimentos, sem compreensão efetiva.

E se hoje, Dia da Matemática, celebramos essa disciplina que tanto desafia e encanta, iniciativas como essa nos lembram do que realmente importa: formar professores que ensinam com profundidade porque compreendem de forma estruturada. Afinal, só é possível ensinar bem aquilo que se compreende de verdade.

Ensinar frações é ensinar relações. E é justamente nesse ponto que reside o potencial transformador desta abordagem e da formação que a EnsinE se orgulha de apoiar.

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