Arquitetura de teatros: 5 teatros mais famosos do mundo

A arquitetura de teatros é uma realização complexa que deve dispor de uma série de apoios de palco, prever a estrutura cênica e calcular especificamente algumas distâncias e dimensionamentos.

Antes de tudo, um projeto de teatro considera três coisas: garantir que o público enxergue sem esforço, a acústica e o conforto. 

No século 20, estudiosos comprovaram que o formato e o volume dos cômodos influencia na qualidade acústica dos ambientes. Desse modo, dentre as principais técnicas que envolvem a construção de um teatro, a acústica é um quesito importante.

A acústica arquitetônica envolve a determinação de formas geométricas e volumétricas, assim como a escolha de materiais de construção e acabamentos, responsáveis pela defesa contra barulhos e o controle do som ambiente, evitando eco, por exemplo.

A construção de um teatro tem que levar em conta o fato de ser um local destinado a apresentações.

Os projetos de teatro devem dispor de uma série de espaços com estruturas que auxiliam a realização do espetáculo, chamadas de apoio da área de cena. Mais conhecida como palco, a área de cena fica dentro da caixa cênica.

A Caixa Cênica

Arquitetura de Teatros caixa cênica
Dentro da Caixa Cênica com vista para o público

A caixa cênica é uma construção em forma de cubo, que não tem janelas e nem sistema de ar condicionado. É indicado um pé direito no mínimo 2 vezes e meia a altura da boca de cena, o palco. Seu limite superior é uma grade metálica com recursos técnicos instalados: trilhos, cordas de manobra, roldanas, iluminação, etc. Esses recursos permitem, por exemplo, o deslocamento de varas de luz e trocas de cenário.

Não se deve condicionar o ar para o palco, pois, normalmente, os atores aquecem a voz e o corpo antes de entrar em cena. Portanto, um resfriamento do ar pode prejudicar a sua saúde e o seu desempenho. Além disso, uma circulação de ar dentro da caixa provocaria movimentação das vestimentas, cenários e equipamentos de luz. 

Nas laterais da caixa cênica, outro apoio de palco: as coxias. São espaços fora da visão do público que atendem à equipe da peça, assim, sua função é garantir a passagem de profissionais, sendo usadas para concentração de atores, impulso para movimentos, fuga para troca de roupas e abrigo de cenários.

No nível inferior e a frente do palco, deve haver o fosso de orquestra, espaço que abriga músicos e não interfere com o visual do público.

Vale lembrar que os teatros são espaços multiusos e precisam ser feitos tanto para a realização de reuniões e palestras quanto para concertos, peças teatrais, filmes e artes performáticas.

Confira agora os 5 teatros famosos no mundo!

Royal Opera House

Royal Opera House em Londres
Royal Opera House em Londres

O Royal Opera House fica em Londres, tem a entrada construída no modelo clássico.

A fachada, o foyer e o auditório foram erguidos em 1858, mas os outros pisos do complexo foram reconstruídos somente no século 20, depois de serem destruídos por um incêndio. 

O Royal Opera House tem capacidade para 2.268 pessoas. Os projetistas da acústica do Royal Opera House foram Rob Harris e Jeremy Newton, da Arup Acoustics.

Arquitetura de Teatros Detalhes da parte interna do Royal Opera House
Detalhes da parte interna do Royal Opera House

Em 2000, a um custo de £ 178 milhões, foi totalmente reformado. Assim, novas instalações técnicas e de ensaios foram construídas, além do Linbury Studio, um auditório menor, criado para produções experimentais. Os auditórios e foyers já existentes também foram reformados.

Além disso, o abandonado Salão Floral foi reconstruído e se transformou em uma área pública, com bares e restaurantes. A criação desses novos espaços integrou o teatro ao ambiente à volta o que tornou a experiência mais agradável. 

Uma extensão de vidro foi adicionada ao Royal Opera House, agora os pedestres que passam pelo lado de fora conseguem visualizar o ambiente interno. 

Arquitetura de Teatros Royal Opera House em Londres
Detalhes da extensão envidraçada do Royal Opera House

Além disso, a iluminação interna foi melhorada, já que a luz natural é agora também a luz ambiente. 

 Teatro Colón

Arquitetura de Teatros Cólon
Teatro Colón, em Buenos Aires, Argentina

A inauguração do  Teatro Colón, em Buenos Aires, foi em 1896, com a ópera Aída, de Giuseppe Verdi.

O projeto inicial foi do arquiteto Francesco Tamburini e, com sua morte, foi continuado pelo sócio, o arquiteto Víctor Meano, autor do palácio do Congresso Nacional.

Em 1904, após a morte de Meano, o governo encarregou ao belga Jules Durmal finalizar a obra. Dessa forma, introduziu modificações estruturais, deixando seu estilo francês na decoração.

O edifício tem um estilo eclético do início do século 20, passou por mudanças e ampliações realizadas pelo arquiteto Mario Roberto Álvarez. A sala principal do teatro tem forma de ferradura, de acordo com as normas do teatro clássico italiano e francês. Já o térreo do teatro tem camarotes a sua volta até o terceiro andar, com uma capacidade de 2.478 lugares. O fosso da orquestra tem capacidade para 120 músicos.

A cúpula, de 318 metros quadrados, conta com pinturas e no meio dela está um lustre de bronze, com 7 metros de diâmetro e que pesa mais de uma tonelada. 

Arquitetura de Teatro, Teatro Cólon na Argentina
O Salão Principal em formato de ferradura

A acústica do Teatro Colón é de alta qualidade e se deve principalmente à técnica aplicada à forma da ferradura da sala, o que gera uma boa reflexão do som, praticamente uma câmara de ressonância. Além disso, para favorecer a emissão dos sons usaram madeira, cortinas e tapeçaria.

Teatro Bolshoi

Arquitetura de Teatros, Bolshoi na Rússia
Teatro Bolshoi, em Moscou, na Rússia

A inauguração do Teatro Bolshoi foi em 1780, com a performance de um prólogo e um grande balé. Mais tarde, o repertório do teatro consistia na maior parte de balés e óperas cômicas russas e italianas.

A ópera e as trupes dramáticas do Teatro Bolshoi formaram uma única companhia, assim, os membros da empresa vieram de várias origens, desde artistas de seriados a convidados do exterior.

O Teatro Bolshoi tem a cor creme, com colunas apoiadas em estilo clássico, além de um auditório de acústica ressonante em forma de violino. Há destaque, ainda, para as tapeçarias de seda bordadas, painéis detalhadamente pintados, a decoração em papel machê dourado e a presença de um lustre enorme. 

, Bolshoi Russia
Salão Principal do Teatro Bolshoi, na Rússica

Em outubro de 2011, o teatro passou por uma restauração. Manteve a fidelidade da acústica e ampliou os assentos, que haviam sido reduzidos quando o teatro foi atingido por bombardeios na Segunda Guerra Mundial. Os pisos originais também foram restaurados, assim como todo o estofado original, que levou 3 anos para ser tecido.

O teatro é referência no mundo das artes com apresentações de clássicos como O Lago dos Cisnes e Giselle, por exemplo. A filial da companhia fica em Joinville (SC), sendo a única fora da Rússia.

 Teatro Amazonas

Arquitetura de Teatros, Teatro Amazonas, Brasil
Teatro Amazonas em Manaus

A inauguração do Teatro Amazonas, em Manaus, foi em 1896. O teatro abrigou apresentações de nomes como o compositor Heitor Villa-Lobos e a bailarina Margot Fonteyn, além de óperas, danças, orquestras e musicais. 

Hoje, sua função de teatro está combinada ao papel de patrimônio cultural e local de memória, sendo também um museu. 

Desde o início da construção, o objetivo não era fazer apenas um teatro, mas um monumento de arte. O projeto arquitetônico é feito em estilo eclético. Assim, arquitetos, construtores, pintores e escultores europeus vieram ao Brasil para a realização da obra.

A cúpula do Teatro Amazonas tem 36 mil peças de escamas de cerâmica esmaltada, telhas de vidro da Alsácia, adquiridas na Casa Koch Frères, em Paris. Além disso, uma pintura ornamental de Lourenço Machado nas cores verde, azul e amarelo, que faz referência à bandeira do Brasil.

Arquitetura de Teatros, Teatro Amazonas, Brasil
Salão Principal do Teatro Amazonas, em Manaus

Todavia, a decoração do teatro é uma mistura de sofisticação europeia, trazida pelo artista italiano Domenico de Angelis, responsável pelo salão nobre do teatro, com detalhes da floresta amazônica inspirados pelo pernambucano Crispim do Amaral, que viveu em Paris.

Anjos barrocos próximos a plantas tropicais, enfeites de ouro no teto e nos pilares de mármore francês representam essa mistura, por exemplo. Além disso, o teto bordado na sala de espetáculos dá a impressão aos visitantes de estar embaixo da torre Eiffel, em Paris.

No segundo piso, há um camarim com um guarda-roupas antigo cheio de adereços usados em apresentações luxuosas.

 Sydney Opera House

Arquitetura de Teatros, Sydney
Sydney Opera House na Austrália

Primeiramente, sua arquitetura é famosa pelo uso dos telhados brancos que se sobrepõem, imitando as camadas das conchas de um molusco, dando a sensação de que levitam.

Dessa forma, para atingir a estética desejada, foram 11 anos para completar a cobertura da estrutura. As cascas foram cobertas com 1.056.066 telhas cerâmicas feitas na Suécia, a partir de argila e brita.

A Ópera de Sydney se tornou símbolo da Austrália e entrou para a lista de Patrimônios da Humanidade da Unesco. O arquiteto dinamarquês Jørn Utzon foi o responsável pelo projeto, no ano de 1959.

É composto por cinco teatros, cinco estúdios de ensaio, dois auditórios, quatro restaurantes, seis bares e lojas de suvenires.

, Sydney Opera House
Salão Principal do Sydney Opera House, na Austrália

Grandes escadarias levam aos dois auditórios principais. Além disso, foram adicionadas ao projeto original uma biblioteca e uma sala de cinema.

Em suma, a construção tem um total de 1.000 salas com acesso por um pátio que circunda todo o edifício e conecta os cinco espaços de performance. Os 2.000 painéis de vidro do edifício são sustentados por barras de bronze. Duas camadas de vidro interligadas por plástico formam os painéis, o que reforça as janelas e ainda melhora o isolamento acústico do local.

O custo final da obra foi de 51 milhões de libras, quase 15 vezes mais do que o planejado no orçamento.

Sydney Opera House
Vista do Restaurante localizado dentro do Sydney Opera House
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